Crítica | Perdido em Marte

Ridley Scott volta às suas origens e apresenta um filme que supera qualquer expectativa criada em torno de si


Título Original: The Martian
Lançamento: 1 de outubro de 2015
Gênero: Ficção-científica, drama
Elenco Original: Matt Damon, Jessica Chastain, Michael Peña, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Naomi Scott e Kate Mara
Direção: Ridley Scott
NOTA:

Mais uma história de sobrevivência em um local hostil e isolado. Será que esta fórmula já ficou batida e sem graça? Ridley Scott mostra que definitivamente não!

Uma equipe de astronautas está realizando uma série de pesquisas de solo em Marte, quando é surpreendido por uma grande tempestade. Obrigados a evacuar o planeta, acabam deixando Mark Watney (Matt Damon) para trás, presumindo que esteja morto. Watney precisa, então, usar de sua sagacidade e determinação para sobreviver em um planeta vazio e hostil, lutando para entrar em contato com a Terra a fim de avisar que continua vivo, mesmo sabendo que a volta para casa é quase impossível.

Baseado no livro homônimo de Andy Weir, o filme consegue explorar o que há de melhor na literatura, trazendo de forma minuciosa e pouco complexa os detalhes técnicos, que dão bastante credibilidade aos acontecimentos. Nada da tecnologia mostrada é exagerada e sem fundamento, já que o autor original realizou vários meses de pesquisa com a NASA, para trazer ideias muito bem embasadas. O roteirista Drew Goddard conseguiu captar isso com facilidade, sem tornar o filme didático ou enfadonho. O público pode até duvidar dos acontecimentos, mas plantar batata em solo infértil e sem água, por exemplo, é mais do que possível. São detalhes pensados com um trabalho tão bonito, que é impossível deixar de elogiar, primeiramente, o autor do romance e depois cada pessoa que fez parte desse processo criativo.

O que deixa um pouco a desejar é o fato de que o emocional do protagonista não é tão bem explorado. O roteiro acaba mostrando apenas a sagacidade e destreza de Watney, com seus monólogos que caberiam muito bem em uma narrativa de um livro. A questão, porém, é resolvida com louvor nos outros núcleos da produção. O texto explora bem cada personagem do filme, centrando sempre no contexto da sobrevivência e das escolhas de cada um. Essa liberdade na narrativa faz com que o filme não seja nada monótono e, apresentando bem cada núcleo, traz mais vida ao roteiro. Vale destacar a entrega excepcional de Matt Damon, que atua com grande paixão e emoção.

Ridley Scott finalmente acerta na direção. Depois de muitos filmes rasos e sem criatividade, o diretor de “Alien, o 8º Passageiro” mostra que ainda pode apresentar uma ficção-científica louvável, emocionante e que muitas vezes não parece realmente uma ficção. No final da projeção, você chega a acreditar que aquilo tudo é baseado em uma história real, tamanha a inspiração e paixão na direção de Scott com o roteiro. Ele explora a complexidade do planeta e consegue, com maestria, filmar sequências deslumbrantes.

É extremamente visível a qualidade artística e técnica deste filme. A começar pela fotografia, que engrandece a veracidade das cenas em Marte, com uma iluminação bem projetada, cores vibrantes, cenários bem explorados e efeitos visuais belíssimos. Todo esse conjunto entrega algumas das cenas mais lindas de filmes do gênero, muito bem filmadas com a tecnologia 3D – que se abstém um pouco de “objetos voando” no espectador e foca na profundidade de campo que beira a perfeição.

A trilha sonora e mixagem de som dão um show à parte. Com batidas perfeitas em sua trilha e sonorização naturalmente construída, temos uma imersão sonora gratificante. A seleção de clássicos da disco music é magnífica, já que trabalha com letras que condizem perfeitamente com os momentos em questão do protagonista. Se você conseguir entender parte da música “Hot Stuff”, onde Donna Summer canta que “precisa de algo quente”, em uma cena em que Watney passa frio, vai entender perfeitamente a questão. As músicas acabam fazendo parte da narrativa e isso é fantástico.

Perdido em Marte é mais uma obra-prima do cinema. Ridley Scott volta às suas origens e apresenta um filme que supera qualquer expectativa criada em torno de si. Com um excelente elenco, fotografia exuberante, efeitos especiais bem contextualizados e um roteiro especificamente bem estruturado, este se torna um dos melhores filmes do ano, com grandes chances de levar várias indicações nas principais premiações do cinema. É a arte do entretenimento em sua melhor fórmula: aquela que emociona e surpreende seu público.

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