Crítica | Evereste

Visual interessa, mas seu argumento incomoda


Título Original: Fantastic Four
Lançamento: 24 de setembro de 2015
Gênero: Drama
Elenco Original: Jason Clarke, Emily Watson, Robin Wright, Jake Gyllenhaal, Keira Knightley, Josh Brolin e Sam Worthington
Direção: Baltasar Kormákur
NOTA:

Poderia ser um filme-catástrofe, uma aventura épica ou até mesmo um bom suspense. Mas é apenas um drama família com visuais deslumbrantes e história baseada em fatos reais...

Em Evereste, dois grupos de alpinistas liderados por Rob (Jason Clarke) e Scott (Jake Gyllenhaal) se unem na tentativa de escalar o monte Everest, mas uma grande nevasca coloca a vida de todos em risco. Rob, mais cauteloso e menos aventureiro do que Scott, tem uma esposa grávida (Keira Knightley) aguardando em casa e ele lutará bastante para tentar proteger a si mesmo e a todos das dificuldades que a tempestade causou.

O que mais chama atenção no filme, claro, é o visual. Com planos bem abertos e fotografia clara e objetiva, Evereste encontra, em seus efeitos visuais, a dramaticidade que procurava. A direção de arte transmite certa veracidade em algumas das suas cenas, mas em sua maioria, traz cenários mal construídos e produz bonecos de seus mortos tão amadores, que beiram o ridículo. Ao menos, a conversão em 3D é boa, dando uma profundidade de campo contagiosa.

O roteiro é o ponto mais fraco da produção. Enquanto em sua primeira ideia tínhamos apenas um protagonista levando todo o restante da história em sua jornada, a versão final traz um emaranhado de personagens, cada qual com e sem motivações, resultando em uma história desinteressante e sem emoção. Perguntando para si mesmo o que motiva as pessoas a partirem em uma aventura mortal e insistindo em contar sua história da maneira mais didática possível, o texto acaba ficando monótono e sem coração.

A emoção, quase inexistente, é unicamente composta pelo grande elenco estelar. Jason Clarke entrega uma atuação regrada e bem emotiva, enquanto Jake Gyllenhaal não consegue demonstrar uma atuação consistente, já que seu personagem é pífio e sem grandes motivações. Emily Watson brilha, mas o destaque ficou mesmo para Keira Knightley, que consegue impor carisma e emoção, mesmo que limitada em seu núcleo. É quase impossível, aliás, notar a dedicação de Josh Brolin em sua atuação, resultando em um de seus melhores papéis. Em seu núcleo, seu personagem é o único que foi realmente bem desenvolvido pelo roteiro, o que pode fazer com que muitos torçam exclusivamente pra ele. Até Sam Worthington acaba se sobressaindo pelo talento.

É muito fácil apontar o que há de correto e errado em Evereste. Enquanto seu visual, em grande parte da produção, impressiona, seu roteiro chega a ser clichê, seus personagens não têm motivações e sua trama incomoda. O que poderia ser uma grande história de superação, acaba fazendo com que o público se supere a conseguir sair realizado no final da projeção. Pois o que a gente leva desse filme é a sensação de que poderia ter sido melhor. Muito melhor.
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