Crítica 2D | Quarteto Fantástico (2015)

Produção é bem interessante e, por muitas vezes, soa até inteligente em seu argumento


Título Original: Fantastic Four
Lançamento: 6 de agosto de 2015
Gênero: Ficção científica, ação
Elenco Original: Miles Teller, Jamie Bell, Kate Mara, Michael B. Jordan, Toby Kebbell e Reg E. Cathey
Direção: Josh Trank
NOTA:

Em um momento de crise, a editora de grandes quadrinhos Marvel Comics encontrou uma maneira de se reerguer, vendendo os direitos de vários de seus personagens originais para as maiores produtoras do cinema. Enquanto o Homem-Aranha foi licenciado para a Sony Pictures, heróis de equipes e enredos diferentes, como os X-Men e o Quarteto Fantástico, foram adquiridos pela 21h Century Fox. Ambas tiveram grande êxito em suas superproduções, mas uma cláusula em seus contratos previa que os direitos de adaptações voltariam para a editora, caso ficassem sem lançar uma produção em determinado tempo.

O Quarteto Fantástico é considerado a primeira família da Marvel. Ganhou duas adaptações medianas nos cinemas em 2005 e 2007. Os estúdios não ficaram muito satisfeitos com o baixo retorno da sequência, então congelou a franquia. Oito anos depois, temendo perder o licenciamento, a Fox decide produzir um reboot e esquecer tudo o que foi construído na primeira franquia. Eis que o Quarteto Fantástico retorna ainda mais humanizado, em um filme que mais parece uma ficção científica.

Em seu enredo, quatro adolescentes dotados de grande inteligência são enviados a uma missão perigosa em uma dimensão alternativa. Quando os planos falham, eles retornam a Terra com sérias alterações corporais. Munidos desses poderes especiais, eles acabam nas mãos do governo, que pretende utilizar destas habilidades para benefício próprio. Porém, a humanidade corre grande perigo, quando um dos adolescentes torna-se uma grande ameaça ao planeta.

Visando humanizar mais seus heróis, o roteiro de Simon Kinberg, Jeremy Slater e Josh Trank lida mais com o emocional e relação entre os quatro modificados. Enquanto que Reed Richards (Miles Teller) e Bem Grimm (Jamie Bell) possuem uma grande amizade que funciona bem em cena, Sue Storm (Kate Mara) e Johnny (Michael B. Jordan) trazem aquela velha relação familiar conturbada. Essas relações são trabalhadas de maneira bem leve e dão mais veracidade ao enredo.

Enquanto a maioria dos filmes atuais de super-heróis visa trazer personagens críveis, mas superpoderosos e pouco humanizados, a produção de Josh Trank traz justamente um diferencial: a credibilidade. O gênero de seu filme é distanciado das aventurescas linhas que separam a ficção do real e traz um estilo por vezes único e bem empregado na trama. Este realismo mais sombrio, porém, acaba dando previsibilidade e confusão à trama. Os vários minutos que Trank utiliza para apresentar seus personagens e mostrar o crescimento de cada um deles acabam atrapalhando no ritmo da produção, que em seu terceiro ato se torna enfadonho. É visível a falta de credo da equipe para com o material que tinha em mãos. O enredo abandona sua qualidade sombria, científica e bem aprofundada, para apresentar um clímax bem mal elaborado. Trank tenta aprimorar a trama, finalizando-a com os maiores clichês de filmes de super-heróis, mas perde seu sentido, seu diferencial.

Os efeitos especiais, ao menos, estão agradáveis. Sem muitos recursos e um orçamento limitado – que ultrapassou suas barreiras com as várias cenas refilmadas -, o diretor preferiu aplicar uma camada escura na pós-produção para que a má qualidade de alguns aspectos visuais ficasse obscurecida aos olhos dos mais desatentos. O quarteto principal, porém, foi o mais beneficiado com a produção. O Coisa, interpretado muito bem pelo seu ator, tem um visual excelente e, mesmo feito inteiramente de computação gráfica, consegue transparecer as feições de Jamie Bell.

O elenco é bom, cheio de estrelas elogiadas em produções anteriores. Enquanto Miles Teller, Jamie Bell e Reg E. Cathey trazem excelentes atuações (destacando muito bem seus relacionamentos), Kate Mara e Michael B. Jordan ficam à deriva do sentimento imposto pelo roteiro. Mara até que consegue demonstrar certa emoção, mas Jordan não tem carisma algum, transformando seu personagem em algo monótono e sem profundidade. O mesmo acontece com o fraquíssimo Toby Kebbell e seu vilão, que mesmo com uma origem fantástica, é por vezes superficial.

Este novo Quarteto Fantástico é bem interessante e, por muitas vezes, soa até inteligente em seu argumento. Sua essência, porém, é perdida quando a equipe decide se distanciar ao máximo dos filmes originais. Josh Trank tenta comandar um sci-fi sério e nada modesto, mas durante mais de uma hora de filme, esqueceu que tinha em mãos um grande filme de super-heróis, que deveria pelo menos divertir. Lembrar disso no final (em uma cena que beira o ridículo de tão rápida e sem clímax) mostra certa inexperiência no gênero. A sequência é mais do que bem vinda e, caso melhorem alguns aspectos da aventura, pode dar início a uma franquia excepcional.

Dica: Não fique no aguardo até o final dos créditos, pois não existe nenhuma cena extra.
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