Crítica 2D | Sobrenatural: A Origem

Um novo capítulo para uma nova grande franquia.


Título Original: Insidious: Chapter 3
Lançamento: 30 de julho de 2015
Gênero: Terror, suspense
Elenco: Stefanie Scott, Dermot Mulroney, Lyn Shaye, Angus Sampson e Leigh Whannell
Direção: Leigh Whannell
NOTA:

Lá em 2011, chegava aos cinemas Sobrenatural, resultado de mais uma parceria entre os cineastas da franquia "Jogos Mortais", James Wan (diretor e produtor) e Leigh Whannell (roteirista e ator). O grande atrativo da produção foi a maneira obscura e inteligente do diretor conseguir mesclar um suspense de qualidade com um boa história - sem deixar de se inspirar nos clássicos. O público adorou e nascia, aqui, mais uma grande franquia de terror.

No primeiro filme, o professor Josh Lambert e sua esposa Renai se mudam para uma nova casa, juntos de seus filhos Dalton, Foster e a recém-nascida Cali. Em uma noite, Dalton vai para o sótão quando ouve rangidos e vê a porta abrir sozinha. Ele cai de uma escada enquanto investigava e vê uma figura nas sombras. Ouvindo seus gritos aterrorizados, Renai e Josh correm em para ajudar e declarar o sótão "fora dos limites" para as crianças. No dia seguinte, Dalton cai em estado de coma inexplicável. Coisas estranhas começam a ameaçar a família, que assustada decide chamar a equipe de investigadores paranormais Elise Reiner, Specs e Tucker. O resto da história já é de imaginar, mas o roteiro vai por outro caminho e apresenta surpresas incríveis no enredo.

Sobrenatural: Capítulo 2 (leia a crítica) é uma sequência direta do original e, junto com uma história diferenciada, há um enredo com questões mais antigas - mostrando a origem do mal que se instala na família há muitos anos. Aqui, o roteiro atinge um lado mais investigativo e ganha história, construindo pontes sensacionais entre os dois filmes. O final do filme, porém, mostra que nada está acabado e que novos casos vão sempre surgir.

O terceiro capítulo da franquia Sobrenatural - erroneamente intitulado "A Origem" no Brasil - pula para um caso inédito, acontecido poucos anos antes dos ataques à família Lambert. Elise Rainier (Lin Shaye) relutantemente concorda em usar sua habilidade espiritual para entrar em contato com os mortos, a fim de ajudar Quinn Brenner (Stefanie Scott), uma adolescente cuja mãe Lilith morreu recentemente. Quinn acredita que Lillith vem tentando alcançá-la através do mundo espiritual, ela então visita Elise para uma leitura. Elise é incapaz de completar a leitura, atordoada por uma presença demoníaca que ameaça matá-la. A paranormal, porém, decide ajudar Quinn, que começa a sofrer com um presença insidiosa na sua vida.

James Wan, desta vez, atua apenas como co-produtor e o roteirista Leigh Whannell estreia como diretor. A escolha é plausível, já que Whannell é o grande criador da história e tem uma grande noção do que fazer com a franquia. Seu grande erro, porém, é tentar se aproximar muito do trabalho feito por Wan no primeiro longa. É visível o amadorismo na movimentação das câmeras e na direção de seu elenco. A psicologia em sua atmosfera, porém, mostra-se perversa, envolvente e inquietante. Clímax, este, que é o grande atrativo do filme, junto com as ótimas montagens de algumas cenas - como a impactante cena de atropelamento.

Enquanto que o anterior se aprofundou mais em sua história, deixando o terror mais simplificado, este traz uma premissa um tanto quanto genérica e abusa dos mais conhecidos conceitos para assustar. É previsível por muitas vezes, mas não deixa de ser assustador. O estilo clássico do terror, misturado com a maravilhosa e bem inspirada trilha sonora de Joseph Bishara, é bizarro e grandioso. A composição do cenário é bem utilizada pelo diretor de fotografia Brian Pearson, que aposta em locais mais escuros e elenco bem posicionado. Seu estilo é bem parecido com o filme "Terror em Silent Hill", que abusa de criaturas bizarras e corredores enormes, onde sabemos que coisas horríveis vão acontecer. Uma pena que os personagens aparecem, por muitas vezes, com pouco medo - o que estraga o clima proposto.

A co-protagonista Stefanie Scott, que interpreta a assustada Quinn, é muito boa e não fica devendo em nada com sua atuação, que é conduzida no ponto certo. Dermot Mulroney, o pai de Quinn, é sempre ótimo e, mesmo sem receber muito destaque com um personagem fácil, se sai bem. Lin Shaye, a eterna Elise, tem mais destaque e pôde mostrar mais de sua personagem, que recebeu um tom dramático muito mais elegante e promissor. A dupla de picaretas Tucker e Specs, interpretados por Angus Sampson e o diretor Whannell, é clichê e não adiciona nada ao enredo, exceto pelo fato de que serão grandes figuras no futuro cronológico da história quando juntam seus conhecimentos tecnológicos com a paranormalidade de Elise.

Mesmo contando com algumas situações engraçadas desnecessárias e alguns clichês, Sobrenatural: A Origem faz jus à franquia e, respeitando suas inspirações, consegue elevar os filmes ao patamar de uma grandiosa franquia. São vários os sustos, vindos de momentos e lugares inesperados, e a qualidade cinematográfica é satisfatória. Em anos em que filmes de terror surgem banalizados e sem nenhum argumento válido, o mínimo que podemos dizer deste filme é que ele cumpre bem o seu papel de assustar e contar boas histórias de terror.

Ps.: Fique atento às ótimas referências aos universos criados por James Wan nos cinemas. Uma delas, está no cão de Elise - chamado Warren. Este nome te lembra algum casal paranormal?
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