Crítica | Pixels - O Filme

Adam Sandler ataca novamente. Desta vez, com uma superprodução


Título Original: Pixels
Lançamento: 23 de julho de 2015
Gênero: Aventura, comédia
Elenco Original: Adam Sandler, Michelle Monaghan, Kevin James, Peter Dinklage, Josh Gad e Sean Bean.
Direção: Chris Columbus
NOTA:

Adam Sandler e sua produtora vêm sempre trazendo inúmeras comédias despretensiosas. Algumas delas são realmente bacanas, como é o caso de “Como se fosse a Primeira Vez” (2004), “Click” (2006) e “Esposa de Mentirinha” (2011). Por outro lado, sua ficha está cheia de produções que beiram o ridículo. Pixels, sua nova aposta para voltar ao topo das bilheterias, é bem pretensiosa e falha na sua maior missão: entreter.

No filme, a humanidade busca contato com seres extraterrestres e, para isso, envia uma cápsula contendo vídeos sobre o entretenimento na época em que foi lançado - os anos 80. Os seres, porém, entendem a mensagem como uma ameaça e, para dominar a Terra, criam monstros digitais inspirados nos videogames. Uma equipe de jogadores da época é então recrutada para tentar salvar a humanidade.

A ideia nasceu do curta-metragem de mesmo nome, criado pelo diretor francês Patrick Jean e lançado na internet em 2010. Enquanto que o material original empolgou bastante os fãs dos games clássicos, a nova produção da Happy Madison se afunda na previsibilidade e em sua história mal elaborada.

Começamos o filme nos anos oitenta e este é o seu melhor momento. A produção composta para esta época é muito boa, tem detalhes bem bacanas e a trilha sonora oitentista é de encher os ouvidos. Até o 3D está melhor nesses minutos. O problema é quando entramos nos dias atuais, onde temos personagens estereotipados e ritmo bem enfadonho.

As referências e os efeitos especiais até que empolgam. É sempre bacana ver elementos que fizeram parte da sua infância sendo colocados em uma superprodução. Porém, a empolgação acaba quando o ritmo vai se perdendo em sua trama. As piadas já não funcionam mais. Os videogames ganhando vida já não surpreendem mais. Os personagens já não têm mais graça (não que já fossem realmente interessantes em algum momento).

Sandler está interpretando aquele mesmo papel: o cara babaca descolado, que solta piadinhas de efeito e está sempre atrás de mulher. A diferença neste, é que ele não se contenta em ser apenas mais um bobão das telonas e passa a ridicularizar certos grupos. O público já está saturado com paródias contra nerds e fãs de videogames. Quando um filme demonstra isso e critica a maneira como a sociedade lida com esses conceitos, é bacana. Quando a produção ridiculariza e empobrece este tema... Aí já não se pode mais nem levar nada a sério.

Chris Columbus é conhecido por dirigir grandes aventuras nos cinemas. Desde os dois primeiros filmes da franquia Harry Potter, até os clássicos Gremlins e Os Goonies. O cineasta consegue fazer algo simples, mas incrível, quando tem um bom material em mãos e pode mexer nele. Ele tem uma percepção muito boa de como entreter, mesmo não sendo um excelente cineasta. Em Pixels, porém, é visível a falta de liberdade de Columbus, o que resultou em um de seus piores trabalhos no cinema. As cenas de ação, ao menos, são boas.

Bebendo de um material de origem inteligente e bem interessante, Pixels consegue divertir por alguns poucos minutos. Se isto já é o bastante para comprar um ingresso? Não deveria. O público precisa parar de se contentar com pouco. Quando vemos um filme de aventura, ação, comédia ou do gênero que for, devemos esperar sempre o melhor. Devemos esperar um filme que seja bom em todos os aspectos. Quando isso se tornar rotina, quem sabe o cinema não comece a receber filmes que realmente funcionam. Enquanto isso não acontece, somos obrigados a presenciar piadas esdrúxulas, como as de Adam Sandler. “Você ainda joga Space Invaders? Porque você está invadindo meu espaço.”

Se Pixels fosse um videogame, esperar com ansiedade para ver a tela de Game Over não seria surpresa. Pelo menos, nisso o filme não decepciona.
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