Crítica | O Exterminador do Futuro – Gênesis

Falha ao tentar homenagear os clássicos e não tem profundidade


Título Original: Terminator: Genisys
Lançamento: 2 de julho de 2015
Gênero: Ação ficção-científica
Elenco Original: Arnold Schwarzenegger, Emilia Clarke, Jai Courtney ,Jason Clarke e J.K. Simmons.
Direção: Alan Taylor.
NOTA:

Reviver franquias clássicas parece ser um dos planos mais comuns das produtoras nos últimos anos. Somente neste ano, tivemos o cheio de convicção e bons momentos Mad Max: Estrada da Fúria e o grande recordista Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros. A Paramount Pictures, porém, não quis ficar pra trás e correu logo programar um novo filme d'O Exterminador do Futuro. Porém, a grande questão para esta franquia é: para onde ela ainda pode ir?

Na ficção-científica tudo é possível, principalmente quando se trata de viagens no tempo. O tema, porém, deve ser tratado com muito cuidado para que não pareça confuso. Com base nisso, os novos produtores da franquia - que foi adquirida pela Skydance há pouco tempo - acreditaram na possibilidade de criar uma história diferente, sem esquecer o que aconteceu nos filmes anteriores (apesar de basicamente ignorar os dois últimos). Mas o material entregue ao público infelizmente perde sua essência e acaba um tanto confuso.

No enredo, que inicialmente se passa em 2029, John Connor (Jason Clarke) é líder da resistência humana contra as máquinas e, ao saber que a Skynet mandou um exterminador ao passado para assassinar sua mãe (Emilia Clarke) antes de seu nascimento, envia Kyle Reese (Jai Courtney) para 1984, a fim de protegê-la. Kyle, porém, é surpreendido pela mulher que Sarah Connor se tornara. Ainda mais com seu protetor e seu novo inimigo.

Os filmes de James Cameron foram produzidos em uma época diferente, onde pouco se tinha previsões sobre os avanços da inteligência artificial. A novidade entregue, porém, disseminou uma grande contribuição ao mundo cinematográfico e tomou uma onda de fãs, encantados com as possibilidades e na tecnologia em questão. 'Gênesis', por outro lado, peca ao reunir tudo o que já é conhecido nos filmes do gênero. Não há nada de novo e incrível na tecnologia abordada no longa, que no final soa impotente diante de seus competidores. As cenas de ação têm pouca emoção e seus personagens não são levados a lugar algum. É impossível não notar certo estilo de ação da franquia "Transformers" ou na ficção-científica mais abordada em filmes como "Resident Evil" (temos até uma nova versão da Rainha Vermelha!) e o péssimo "Transcendence".

Algo que chama atenção é o sentimento nostálgico. Aqueles que não se deram ao trabalho de assistir às outras quatro produções não terão problemas para entender o enredo. Quem ainda se lembra, porém, terá grandes surpresas, ao perceber que temos aqui uma nova cronologia, baseada na clássica. O problema em questão é a falta de praticidade em criar um trama realmente novo e consistente. Os erros do passado estão aqui no presente. Alan Taylor falha terrivelmente em adicionar elementos clássicos à nova produção e, mesmo que tenha potencial para uma nova franquia, não foi interessante o bastante.

O que mais agrada, na verdade, são os efeitos especiais e a trilha sonora - bem alinhada com os efeitos sonoros. Seria no mínimo estranho ver Alan Taylor decepcionando no visual. Ele, que dirigiu e produziu Thor: O Mundo Sombrio e alguns episódios da série de televisão Game of Thrones, consegue reproduzir boas cenas de ação. A esperteza do diretor até que é elegante, pois consegue esconder vários de seus erros com certos elementos. Difícil selecionar uma cena que não contenha bastante fumaça, destroços ou faíscas. Estes detalhes acabam impressionando no 3D, que mesmo convertido, adiciona uma boa profundidade e traz objetos à frente da tela facilmente.

A protagonista Emilia Clarke, interprete da icônica Sarah Connor, não faz jus ao papel proposto. Apesar de muito carisma, a estrela de Game of Thrones não consegue trazer a força necessária para a personagem e sua presença não empolga. Jai Courtney, por outro lado, consegue entregar um personagem bem carismático e prova que tem um futuro promissor em filmes do gênero. O romance entre eles, aliás, não funciona em momento algum e acaba se tornando ridículo. O nosso eterno T-800 está de volta e, claro, Arnold Schwarzenegger o interpreta com grande veracidade. Não é todo ator que consegue tirar toda a sua expressão para atuar como um ser sem sentimentos. Nisso, Schwarzenegger é realmente bom. Jason Clarke não decepciona, mas teria se saído muito melhor se seu personagem não tivesse um destino tão risível. Ao menos temos algumas aparições de J.K. Simmons, que mais uma vez mostra ao que veio.

O Exterminador do Futuro – Gênesis é um bom filme para novos espectadores, com certo potencial para as futuras produções desta nova trilogia, mas falha ao tentar homenagear a franquia. Em uma época na qual "filmes-cabeça" são praticamente inexistentes, é provável que Schwarzenegger consiga entreter bem o público. Os mais exigentes, porém, sairão da sessão com uma vontade tremenda de assistir aos dois primeiros filmes e esquecer o que acabaram de ver. A partir de agora, é impossível não ter medo ao pensar no futuro de algumas franquias clássicas sendo recicladas em Hollywood. Só resta desligar a mente, pegar a pipoca, colocar os óculos 3D (sem esquecer de devolvê-los no final da sessão, por favor!) e curtir a ação. Se vai apostar nisso, não esqueça de ir no melhor cinema da sua cidade (principalmente se for IMAX 3D). Já que não temos poder para cortar o mal pela raiz, se este for bem nas bilheterias, que o segundo filme desta trilogia seja como o da primeira e acabe superando o anterior.
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