Crítica | Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

O parque está de volta, com muito mais ação e menos emoção


Título Original: Jurassic World
Lançamento: 11 de junho de 2015
Gênero: Aventura, Ação, ficção-científica
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan, B.D. Wong, Vincent D'Onofrio, Nick Robinson e Ty Simpkins.
Direção: Colin Trevorrow.
NOTA:

Quando falamos em dinossauros no cinema, qual o primeiro filme que nos vem à cabeça? Jurassic Park (1993), com certeza. O clássico de Steven Spielberg, baseado no romance de Michael Crichton, foi um sucesso estrondoso na época e até hoje é um modelo para novos cineastas. Repleto de elementos da ficção científica, efeitos especiais incríveis e muito suspense, o longa consegue misturar vários elementos e gêneros, com o que o público sempre amou conhecer: dinossauros.

Depois de duas sequências fracas, lançadas em 1997 e 2001, eis que surge aquele que poderia reviver o gosto do público pelas criaturas pré-históricas. Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros não só é esperado ansiosamente pelos fãs, mas é um dos mais aguardados no momento mais badalado do cinema - o verão norte-americano. Em uma época onde os filmes de super-heróis da Marvel lideram com folga as bilheterias, dificilmente se vê um blockbuster ganhar muito destaque, mas este ano parece ser diferente. Com o sucesso inesperado e estrondoso de Velozes e Furiosos 7 e do aclamado Mad Max: Estrada da Fúria, o quarto filme da franquia Jurassic Park parece forte o bastante para ganhar o seu espaço.

Praticamente ignorando os acontecimentos de Jurassic Park - O Mundo Perdido e Jurassic Park III, Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros é também centrado na ilha fictícia Nublar, onde o milionário John Hammond e sua equipe de geneticistas criaram um parque temático, que tinha dinossauros clonados como atrações. 22 anos depois do desastre acontecido com o Parque dos Dinossauros, o sonho de Hammond é realizado com um novo parque, chamado Jurassic World.

O projeto é um grande sucesso durante 10 anos, mas o público começa a perder o interesse nas criaturas já conhecidas, o que leva os patrocinadores a pedirem novidades. Enquanto o ex-militar Owen Grady (Chris Pratt) conduz uma pesquisa comportamental com os Velociraptors, a equipe liderada pelo Dr. Henry Wu (B.D. Wong) e coordenada pela gerente de operações Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), decide testar novas combinações de espécies. Assim surge o Indominus Rex, um dinossauro híbrido com a mistura do DNA de outros dinossauros e de espécies novas. O novo e desconhecido espécime acaba se tornando uma ameaça aos visitantes, quando mostra possuir uma inteligência fora do comum. Sua fuga pode acarretar em um desastre ainda maior que o acontecimento anterior. A equipe então é forçada a tomar medidas extremas para contornar a situação e impedir que o mundo seja tomado pelas novas criaturas.

É bem visível a tentativa de construir grandes personagens e heróis divertidos. Usando do mesmo humor de Os Vingadores, por exemplo, Jurassic World só funciona pelo carisma do elenco, já que a maioria de suas piadinhas beiram ao ridículo. A controladora personagem de Dallas Howard é muito bem apresentada, já que a atriz traz um frescor e exibe características distintas das populares protagonistas do gênero. O problema, porém, está na relação bem clichê de Claire e Owen, o co-protagonista durão e piadista de Chris Pratt. Tudo em seus diálogos e ações parece forçado, mas não incomoda tanto, já que os dois tem uma química interessante e Pratt sabe como conduzir uma cena. O público não quer apenas heróis cheios de seriedade (Indiana Jones é um grande exemplo disso) e Chris Pratt vem mostrando grande talento nisso, desde o seu grande protagonista de Guardiões da Galáxia.

A direção do iniciante Colin Trevorrow, que também assina o roteiro junto a três outros escritores, é firme. Respeitando o original e inspirando-se no estilo de filmagem de Spielberg, ele sabe conduzir bem as cenas de ação, que nunca parecem mecanizadas - como vem acontecendo em diversos blockbusters atuais. Mas sua falta de experiência com este tipo de filme torna-se visível quando tenta criar um clima de tensão. São poucas as vezes em que nos vemos tensos em situação de alerta e medo. Quando acontece, parece mais ser resultado de um ótimo trabalho do elenco. A dramatização nos momentos ágeis, aliás, incomoda bastante e Trevorrow não poupa nenhum momento. Pelo menos, ele sabe respeitar o original e insere vários elementos do clássico, que ficarão bem perceptíveis aos olhos dos fãs. As referências vão além da franquia, com algumas voltadas à clássicos como "Os Pássaros" e "Tubarão".

O ponto forte do filme, porém, é o belíssimo visual. Com excelentes efeitos especiais, produzidos pela mesma equipe do original, as cenas têm um resultado fantástico, já que possuem também uma fotografia ampla e bela e um estilo visual bem colorizado e atenuado. O público deve se sentir como um verdadeiro visitante do parque, já que ele é apresentado de maneira bem convincente. Os dinossauros estão ainda mais vivos e o cuidado visual da equipe com cada espécie é louvável. É possível perceber cada escama, músculo, estrutura corporal das criaturas - principalmente a grandiosidade do Indominus Rex. Não que a computação gráfica seja tão inovadora quanto foi a do original, mas merece destaque. Os efeitos sonoros também estão ótimos, com uma profundidade de áudio ótima. A trilha, assinada por Michael Giacchino, remete muito à original e tem grande qualidade.

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros é nostálgico, visualmente incrível, rende alguns sustos e tem ótimas cenas de ação. O roteiro, porém, é extremamente raso e romance terrível atrapalha muito no enredo. Os diálogos podem incomodar os mais exigentes e o humor não funciona muito, mas é interessante ver o quanto respeita o original e mantém a franquia viva. Consegue ser muito superior ao terceiro filme e deve trazer novos fãs à franquia. É um bom filme pra se assistir com a família, no melhor cinema que o estiver exibindo. Em IMAX 3D a experiência fica ainda melhor.
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1 comentários:

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Allan Ribeiro
admin
12 de junho de 2015 00:01 ×

Mesmo não gostando muito da temática do filme, me deu vontade de assistir para ver as mudanças :D

Congrats bro Allan Ribeiro you got PERTAMAX...! hehehehe...
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