Crítica | Terremoto - A Falha de San Andreas

É um filme-catástrofe. Precisa dizer mais alguma coisa?


Título Original: San Andreas
Lançamento: 28 de maio de 2015
Gênero: Aventura, Ação
Elenco: Dwayne Johnson, Carla Gugino, Alexandra Daddario, Paul Giamatti, Hugo Johnstone-Burt e Art Parkinson.
Direção: Brad Peyton.
NOTA:

A famosa Falha de San Andreas é uma falha geológica que atravessa a Califórnia, onde duas placas tectônicas se transformam constantemente. Conhecida por produzir grandes e devastadores sismos, muito se tem estudado sobre este fenômeno, que ameaça trazer mais caos à região. Por que não usar deste contexto real para criar uma mega produção?

Terremoto - A Falha de San Andreas acompanha Ray, um bombeiro especializado em resgates aéreos, que é surpreendido por uma série de eventos catastróficos que atinge a região. Usando de suas habilidades no resgate de helicóptero, parte de Los Angeles em uma busca para resgatar sua ex-esposa e salvar sua filha, que se encontra junto com dois irmãos no epicentro dos terremotos.

O longa aparece como mais uma super-produção a entrar no grande leque de filmes-catástrofe. Desde o sucesso "O Dia Depois de Amanhã" até o recente e mediano "No Olho do Tornado", os estúdios utilizam da mesma fórmula já bem conhecida pelo público. Com excecão de alguns dramas de sobrevivência, como o incrível "O Impossível", de 2012, a força da natureza vem sendo mostrada de maneiras bem parecidas, com aqueles típicos personagens hollywoodianos.

O novo filme estrelado pelo carismático The Rock não seria diferente. Apostando no esquema dos longas já citados acima, acaba inovando em poucos detalhes. Os mesmos personagens estão ali. O herói de Dwayne Johnson ao menos é plausível e é apresentado de maneira natural, assim como o seu desenvolvimento como o chefe da família e possível salvador. A mocinha da vez é Carla Gugino, a ex-esposa do herói, que luta pela sobrevivência e estrela uma das cenas mais exageradamente construídas do gênero. Como ver a personagem como uma moça em perigo, quando ela luta pela sobrevivência e enfrenta heroicamente um prédio desabando e explodindo? A cena em questão, aliás, é a mais intensa e surreal do filme. E isso é um elogio.

A filha do casal, interpretada pela ótima Alexandra Daddario, é apresentada em um núcleo distinto (e ainda melhor) ao dos pais. Mesmo aparentando ser apenas uma típica patricinha americana, sua personagem começa a exibir camadas (e não é só de pele) emocionais e com determinações, culminando na personagem mais interessante deste longa, junto aos seus parceiros Hugo Johnstone-Burt e Art Parkinson. O estudioso e o "babaca" também estão ali, é claro, e são interpretados de forma bem mediana por Paul Giamatti e Ioan Gruffudd.

Não é só de personagens bem construídos que o filme se sustenta, é claro. Os efeitos especiais são o grande atrativo da produção. Ainda que imperfeita em determinados momentos, a construção do visual é ótima e traz uma bela fotografia. A certa crueza na movimentação das câmeras e os takes poucas vezes alternados só melhoram a experiência do filme. Coisa que o 3D muito mal convertido atrapalha. Ignorando o nível absurdo das cenas mais frenéticas, é possível perceber boas sacadas e tirar momentos memoráveis.

Amantes de filmes-catástofre vão adorar esta nova produção que, apesar de todo o clichê, aposta em heróis mais humanizados [e menos patriotas] e uma relação familiar que supera o nível dramático do filme. Com uma trilha sonora impactante, um elenco bacana, todo o carisma de Dwayne Johnson e sua gama enorme de veículos utilizados nos diferentes momentos da trama, Terremoto - A Falha de San Andreas entrega o que propoe e não decepciona.

Brad Peyton traz o mais puro entretenimento, sem se arriscar em subgêneros. Filmes-catástrofes já vêm com um roteiro pronto. Basta que o diretor adicione detalhes inéditos e bem empregados, para que o longa fuja da mesmice. E o único pensamento que fica no final da sessão é o de que "já vimos isso antes", mas a culpa é do gênero.
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