Crítica | O Sétimo Filho

Mais uma adaptação literária, que não soube explorar seu potencial


Título Original: Seventh Son
Lançamento: 12 de março de 2015
Gênero: Aventura, Fantasia, Ação
Elenco: Ben Barnes, Julianne Moore, Alicia Vikander, Jeff Bridges, Antje Traue e Kit Harington.
Direção: Sergei Bodrov.
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ROTEIRO :
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3D:

NOTA FINAL

Jovens descobrindo que descendem de linhagens de feiticeiros, monstros, deuses e inúmeros seres fantásticos já não é novidade na literatura e no cinema. Grandes filmes, como os da franquia Harry Potter, estão aí pra mostrar que esta fórmula pode sempre render bons frutos. Certo? Errado. Há tempos as produtoras vêm tentando se basear neste tipo de aventura inspirada na literatura pra conseguir produzir suas grandes franquias, mas não conseguem tal feito. Temos, como exemplo, as franquias Percy Jackson, Eragon e Os Instrumentos Mortais, que fizeram muito feio nas bilheterias e crítica no mundo todo.

O Sétimo Filho vem com a mesma ideia de atrair o público jovem com essa mesma fórmula. Baseado nos livros da série As Aventuras do Caça-Feitiço, de Joseph Delaney, o filme traz elementos de grandes franquias do cinema, como do já citado Harry Potter e do premiadíssimo Senhor dos Anéis. A história gira em torno do Mestre Gregory (Jeff Bridges), um sétimo filho do sétimo filho (o que significa que ele é um Caça-Feitiço), que tem a missão de treinar seus aprendizes. Depois de muitos fracassarem, chegou a vez do sétimo filho do sétimo filho Thomas Ward (Ben Barnes), que deve aprender a exorcizar fantasmas, amansar ogros, deter feiticeiras e todo o mal que assola o condado. Mas ele precisa aprender tudo antes da chegada da Lua Vermelha, momento em que a poderosa Mãe Malkin (Julianne Moore) pretende lançar toda a sua ira ao mundo desesperado e, junto aos seus irmãos monstruosos, comandá-lo. Cabe ao Mestre Gregory mostrar à Thomas qual é o caminho certo para combater esse mal.

A premissa é inteligente e, mesmo parecendo clichê, poderia render uma grande franquia cinematográfica (como aconteceu com a série literária, que já possui mais de dez livros). Um jovem aprendiz combatendo inúmeras monstruosidades, em um universo tão rico em detalhes e lendas, pode muito bem ser dono de uma grande história. Porém, para que um filme desse porte ficasse realmente incrível, seria necessário um roteiro muito bem escrito, antes de mais nada. O que, infelizmente, não acontece com O Sétimo Filho.

Um orçamento nada modesto, uma direção excelente e design de produção bem realizado conseguem entregar um ótimo visual, é claro, mas a história poderia ter sido mais bem aproveitada. Havia muito do que se aproveitar do seu material de origem, que funciona como uma espécie de diário, descrevendo as batalhas de Thomas contra vários seres fantásticos. Os roteiristas, pouco conhecidos, optaram por extrair apenas uma parte deste universo e trazer um enredo já saturado.

A ideia de uma poderosa bruxa convocando outros feiticeiros de outras partes do mundo para realizar um ritual sob a Lua Vermelha, já foi utilizada em inúmeras produções, como a recente João e Maria - Caçadores de Bruxas. Um velho mago levando um jovem aprendiz em uma jornada por terras misteriosas também já não é novidade. A trama, porém, fica interessante com o mistério envolvendo seus personagens e a busca pela determinação e verdade do protagonista. Será que vale a pena lutar contra os monstros? Afinal, quem são os verdadeiros monstros - eles ou o ser humano? Esses questionamentos humanos e a lealdade do homem são o que há de melhor no roteiro.

As atuações bem consistentes de todo o elenco é incrível. Jeff Bridges, excelente como sempre, traz uma perspectiva experiente à trama, com uma grande habilidade em demonstrar emoções e foco em sua missão. Ben Barnes, mais conhecido como o príncipe Caspian na franquia "As Crônicas de Nárnia", traz um tom jovial ao personagem e, mesmo tendo seus 30 e poucos anos, serviu bem para o papel. Ele vai bem nas cenas de ação e também consegue expor suas emoções de forma simples e honesta. Julianne Moore, agora vencedora do Oscar, mostra-se uma bruxa bem sedutora e ameaçadora. Sua voz, meio rouca e bem impostada, traz força à sua vilã. Mesmo assim, Moore não se entrega tanto ao papel e acaba por muitas vezes desviando o foco e determinação da maldade de Mãe Malkin. Alicia Vikander é corretíssima em seu papel e Antje Traue, que antes brilhou com sua vilã em "O Homem de Aço" (2013), agora mostra uma atuação maternal memorável.

A direção do russo Sergei Bodrov traz sensacionais planos de filmagens. Com muitas cenas de ação filmadas em poucos takes, consegue mostrar uma verdade em suas batalhas e, misturada à excelente fotografia e design de produção, traz belíssimas cenas. Assim como o seu elogiado O Guerreiro Genghis Khan (2007), O Sétimo Filho consegue mostrar um universo medieval que poderia muito bem ser real, com o senso detalhista que Bodrov impõe em suas produções. O visual espetacular é a grande sacada do filme. A trilha sonora, aliás, pode passar despercebida, mas complementa as cenas nas poucas vezes em que é tocada. O diretor decide deixar os efeitos sonoros mais audíveis e, assim, cria um clímax bem aprofundado.

Mesmo com os vários erros - como o texto mal explorado -, O Sétimo Filho possui grandes acertos, que fazem do filme um ótimo meio de diversão. Misturando elementos de grandes produções fantásticas, suas cenas devem agradar todos os públicos e, com uma produção excelente, não deve decepcionar - como vem acontecendo com vários filmes do gênero. É um filme que sofreu com seus problemas de distribuição, mas que poderia ter mais atenção chamada para si. Vale a pena assisti-lo em 3D - é puro entretenimento. Uma pena que seja mais uma adaptação literária, que não soube explorar seu potencial.

Texto por: Conrado Dittrich
Revisão de texto: Diego Dittrich
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