Crítica | O Destino de Júpiter

Visual compensa trama confusa


Título Original: Jupiter Ascending
Lançamento: 5 de fevereiro de 2015
Gênero: Ficção científica, ação.
Elenco: Mila Kunis, Channing Tatum, Sean Bean, Eddie Redmayne.
Direção: Irmãos Wachowski.
NOTA:
ROTEIRO :
DIREÇÃO :
ELENCO :
SOM :
3D:

NOTA FINAL

Desde o inovador e excelente Matrix, os irmãos Wachowski vêm decepcionando com suas produções rasas. O fraco desempenho dos seus filmes na crítica especializada e nas bilheterias vem nos trazendo dúvidas em relação à capacidade dos cineastas. O Destino de Júpiter poderia ser a redenção dos irmãos. Mas sabe aquele filme que você sente que já conhece, mas não sabe de onde?

Em O Destino de Jupiter, Júpiter Jones (Kunis) nasceu sob um céu noturno, com sinais de que estava destinada a algo maior. Agora, já crescida, ela sonha com as estrelas, mas acorda para a fria realidade do seu trabalho limpando a casa dos outros e para uma sequência infindável de infortúnios. É somente quando Caine (Tatum), um ex-caçador militar geneticamente modificado, chega à Terra para localizá-la que Júpiter começa a vislumbrar o destino reservado a ela desde o início – sua assinatura genética a marca como a próxima na fila para uma herança extraordinária que poderia alterar o equilíbrio do cosmos.

A trama parece original e, até certo ponto, realmente é. Os elementos de sua história, porém, já são bem conhecidos em várias outras produções do gênero. Com uma forte inspiração em O Quinto Elemento (1997), de Luc Besson, e Star Wars, os cineastas criam uma trama sólida e bem complexa, com visuais muito parecidos com os das produções citadas (o que, em um todo, não é ruim). A diferença, porém, é que este não deve se tornar um clássico do cinema mundial...

Essa complexidade na história é, por vezes, incômoda. O público, ao contrário da própria Júpiter, dificilmente vai digerir tão fácil as informações de um universo tão vasto. O roteiro cospe tudo de forma tão ágil, que em menos de 2 horas de projeção é impossível situar bem o espectador. A profundidade de seus personagens também é, de certa forma, atrapalhada. Mesmo que muitos deles tenham sido muito bem explorados, é difícil afirmar, de primeira mão, quem é quem e o que cada um faz.

A performance de Mila Kunis é concisa e mostra uma verdade de sua personagem. Ela consegue explorar todos os lados - desde a força e determinação, até a fragilidade humana nela. Channing Tatum, como um ótimo ator de ação, apresenta um personagem forte, carismático e muito bem situado em suas emoções. Vale destacar a incrível atuação de Eddie Redmayne, que apresenta um personagem assustadoramente elegante e que beira à loucura com sua voz tonada em suspiros. Sean Bean, como sempre, é ótimo no que faz e sua força concede carisma ao seu papel.

O grande destaque do filme, porém, está no visual e na direção de pulso firme dos Wachowski. As cenas mais ágeis e de muita ação são bem conduzidas e empolgantes. Mesmo que muitas delas pareçam ser extremamente confusas (é bom citar o mesmo problema em Transformers), são muito bem coreografadas e têm efeitos especiais deslumbrantes.

O trabalho gráfico de O Destino de Júpiter é memorável. Com excelentes efeitos em CGI e uma fotografia belíssima, o filme enche os olhos do espectador. Os cenários exibem uma produção impecável e os figurinos mostram um grande trabalho em equipe. Não seria diferente, já que foram utilizados seis meses extras para a pós-produção - que deveriam ter sido para ajustar a história do longa.

O Destino de Júpiter, afinal, vale mais pelo seu visual deslumbrante, que só melhora com a boa conversão em 3D. O problema está em seu roteiro mal segmentado, humor desnecessário e romance ao melhor estilo "comédia-romântica". O texto não utiliza de metáforas, nem tem a intenção de acrescentar algo mais profundo na história. Ele apenas nos diz o que entender do enredo e deixa questões humanas, por exemplo, de lado. Afinal, quem gostaria de salvar a Terra, tendo uma vida que não vale a pena viver? Essa pergunta, poderia ter sido feita pela protagonista, adicionando assim um tom mais dramático ao longa.

A ideia é boa. Se os irmãos Wachowski trabalhassem com seriedade em torno do conceito político e comercial desse universo, certamente teríamos uma história riquíssima, que poderia render bons frutos para futuras sequências e até, quem sabe, outras mídias de entretenimento. O Destino de Jupiter, porém, resulta em um filme visualmente incrível, mas com um conteúdo que pouco se aproveita. Uma sequência é bem-vinda, já que o vasto universo apresentado neste filme pode resultar em uma ótima franquia. Assisti-lo em IMAX 3D é um bom programa. Vale o ingresso.
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