Crítica 2D | Annabelle

Eficiente no que propõe, filme faz jus à franquia


Título Original: Annabelle
Lançamento: 9 de outubro de 2014
Gênero: Terror, suspense.
Elenco: Annabelle Wallis, Ward Horton, Tony Amendola, Alfre Woodard, Kerry O'Malley, Brian Howe, Eric Ladin.
Direção: John R. Leonetti.
NOTA:

Invocação do Mal, lançado em 2013, foi uma grande surpresa na indústria cinematográfica. Se tornando um dos maiores filmes do ano, a produção arrecadou incríveis US$ 318 milhões mundialmente (algo raro, se tratando de um filme de terror). O motivo desse sucesso, muitos já sabem: o filme de James Wan não só reintroduz a antiga fórmula de contar histórias de terror, como também combina uma excelente produção, com um ótimo roteiro e elenco de primeira. Logo, os produtores tornaram sua atenção à ele, que logo já se tornaria uma franquia - com um spin-off e a já anunciada sequência.

Atualmente, é muito comum vermos spin-offs e continuações tomando conta das salas de cinema. Devido à escassez de novidades e ideias, os produtores da sétima arte veem em um sucesso a possibilidade de mais aceitação do público. A boneca Annabelle, que fez uma ponta em Invocação do Mal, seria uma grande brecha para que mais um filme inspirado na história dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren fosse produzido. E ele foi...

Situado no começo dos anos 70, cerca de um ano antes dos acontecimentos de Invocação do Mal, Annabelle segue a vida do simples casal Mia (Annabelle Wallis, sim o nome dela é esse!) e John (Ward Horton), que esperam ansiosamente pelo seu primeiro filho. A esposa, que trabalha em casa, coleciona bonecas e ganha de seu marido a última que faltava para completar sua coleção: uma boneca vestida em um puro vestido branco de casamento. A felicidade do casal começa a ser testada, quando membros de um grupo satânico invadem sua casa e os atacam violentamente. Mas não foi apenas terror, sangue e uma lembrança terrível que deixaram pra trás. Um grande mal foi invocado e passa a perseguir o casal, com a boneca Annabelle sempre espreitando momentos de terror.

A trama pode até ser clichê, mas a forma como é contada traz um novo dinamismo ao terror. Enquanto que grande parte dos diretores do gênero apostam no mistério para prender o público, John R. Leonetti (que dirigiu a mediana sequência de Efeito Borboleta e o péssimo Mortal Kombat - Aniquilação) não tem medo de apostar no óbvio e gera algumas das cenas mais assustadoras do cinema. A maneira como coreografa sua cenas, remete um pouco ao já visto em Terror em Silent Hill, o que de maneira alguma tira sua criatividade. Junto a equipe de arte e efeitos, consegue criar um clima tenso e seu terror psicológico funciona perfeitamente na trama. As referências ao "O Bebê de Rosemary" (de 1968) também são de encher os olhos e consegue homenagear o clássico de maneira bem satisfatória aos fãs do gênero. Temos até um easter egg de Chuck - O brinquedo Assassino!

A trilha sonora, mais uma vez, merece grande destaque, com seus arranjos bem clássicos e que devem dar medo em qualquer marmanjo. Quando ela toca em algumas cenas, é impossível manter seu coração em ritmo normal. Quando ela volta a tocar e algo realmente acontece, você deve esperar por um sufoco interminável.

O real problema de Annabelle, está em seu roteiro. Enquanto que no original temos um enredo consistente e muito bem encaminhado, neste spin-off os sustos genéricos (mesmo que em algumas cenas funcione bem) são a principal marca do texto, deixando pouco espaço para o drama. São incansáveis as vezes em que cenas mudam repentinamente com uma trilha ensurdecedora. Não que estes momentos não consigam assustar o público, mas ao final já estamos tão acostumados, que passa a ser apenas mais um detalhe descartável. Mesmo com uma história envolvente e que consegue assustar de maneira muito criativa, a trama não é tão bem amarrada assim e acaba tropeçando em alguns momentos. A boneca, por exemplo, é apenas uma coadjuvante de todo o enredo. É como se fosse um objeto para se ter apenas um culpado, ao contrário do que se lê sobre ela.

Como diretor, Leonetti mostra uma certa inexperiência, com jogadas de câmera bem vazias e muitas vezes mal trabalhadas, deixando algumas cenas às vezes cansativas. Mas este estilo ajudou no clima de suas cenas, como quando filma em close alguns objetos (como a própria boneca Annabelle e uma gárgula aterrorizante) e deixa uma certa expectativa agoniante no ar. Filmar à luz do dia é sempre um problema para filmes do gênero e ele o faz. Mas quando cenas escuras chegam, é momento de se desesperar. E não é só com o desconhecido e o suspense que ele consegue assustar. Em momentos mais ágeis e cheios de suspense, Leonetti explora todo o potencial que uma criatura das sombras pode ter e cria um dos antagonistas mais assustadores do cinema.

Annabelle, afinal, é bem eficiente no que propõe. Com excelentes atuações, uma história interessante e cenas de tirar o fôlego de tão assustadoras, o filme merece ser visto pelos fãs do terror. Assim como o original, este consegue mostrar que o gênero ainda tem muito fôlego no cinema contemporâneo e pode, sim, ser considerado um dos estilos mais adorados pelos cinéfilos. Para isso, basta que sejam produzidos bons filmes como este.
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