Crítica | No Limite do Amanhã

Trama inteligente e qualidade técnica fazem deste um dos melhores filmes do ano


Título Original: Edge of Tomorrow
Lançamento: 29 de maio de 2014
Gênero: Ação, Ficção Científica.
Elenco original: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Noah Taylor, Jonas Armstrong.
Direção: Doug Liman.
NOTA:

Sabe quando inúmeros blockbusters saem nos cinemas para aproveitar o verão norte-americano e existe aquele filme que fica bem escondidinho mas tem muito o que mostrar? Assim é No Limite do Amanhã...

No filme, Bill Cage (Tom Cruise) é obrigado a juntar-se às Forças Armadas quando os alienígenas Mimics começaram a dizimar a população terrestre. Na linha de frente no dia do confronto final, Cage acaba condenado a voltar sempre ao dia anterior do ocorrido. Preso no tempo, ele desenvolve suas habilidades e com a ajuda de Rita Vrataski (Emily Blunt), a mais forte soldado da Unidade Americana de Defesa, ele tenta descobrir o segredo de sua viagem no tempo e como mudar o curso da batalha.

É louvável a maneira como o o diretor Doug Liman consegue explorar o lado da ficção científica do filme, sem deixar de lado a ação. Com uma direção de filmagem muito bem elaborada, que pode ser bem lembrada de seus filmes A Identidade Bourne e Jumper, Liman adiciona um ritmo frenético às batalhas, sem perder a noção de espaço em que filma. Administrando muito bem seu elenco e equipe técnica, o diretor consegue dar identidade às suas cenas e, assim, criar um espetáculo visual deslumbrante - à começar pelo design de seus alienígenas, que parecem assustadoramente belos e complexos.

Isso tudo, porém, não atrapalha na hora de contar história. O roteiro de Christopher McQuarrie e Jez Butterworth consegue dar humanidade à seus personagens e, assim, colocar um tom dramático que funciona perfeitamente. Administrando muito bem as determinações de cada um, a trama prende o espectador com um enredo pouco convencional. E a inteligência deste texto é que faz o filme ser tão bom quanto as mais celebradas ficções científicas. Não é confuso, muito menos enfadonho - é complexamente raro. O final do filme, porém, pode decepcionar pela falta de reais sacrifícios. Se os últimos 4 minutos tivessem sido cortados, teríamos um verdadeiro e inabalável conto heroico.

Mas é nesta nova superprodução que vemos um Tom Cruise mais humano, mais vulnerável. Enquanto teme ter de servir à pátria no campo de batalha, seu personagem tem uma singularidade muito bem explorada pelo ator, enquanto vemos uma gradativa evolução nas habilidades dele durante sua missão. Porém, é Emily Blunt quem rouba a cena, ao melhor estilo girl-power. Sua feminilidade, apesar da força, equilibra a trama e, com sua forte atuação e beleza, cria uma das mais icônicas personagens do gênero.

A montagem de som, juntamente com a ótima trilha sonora, também tem seus méritos, pois adiciona um tom mais épico ao filme. A perfeita sonoridade das batalhas resultam em um primoroso realismo dos sons e, com isso, somos puxados para dentro do caos - algo que o mediano 3D também ajuda. Os efeitos tridimensionais, aliás, ficaram bons e, mesmo sendo o resultado de uma conversão, conseguem proporcionar uma profundidade de campo um pouco satisfatória. Em algumas cenas também é possível ver objetos saltando para fora da tela, mas é perceptível que filme não foi pensado no formato.

Afinal, com uma singela beleza cinematográfica e uma trama inteligente, No Limite do Amanhã consegue trazer uma trama inédita ao público e ser um dos filmes mais bem elaborados dos últimos anos. Não é um filme de super-heróis, mas sim de heróis dos quais nos identificamos e queremos ser um dia. Não deixe este filme passar batido - dê uma chance à ele e aproveite um dos melhores filmes do ano - que pode se tornar um clássico nas próximas décadas.
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2 comentários

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Sérgio Oliveira
admin
26 de maio de 2014 22:02 ×

Atualmente, eu considero os filmes convertidos como os que tem o melhor 3D, pois o diretor pode alterar a profundidade durante a conversão. Quando é filmado, o diretor não possui essa liberdade de aumentar o 3D em determinada cena e diminuí-la em um diálogo, por exemplo. Quero muito ver esse filme em XD (onde eu moro não tem IMAX), parece que vai ser realmente muito bom... Ansioso

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Gustavo Lucena
admin
17 de setembro de 2014 18:14 ×

ainda não assisti ao filme, mas acabei de ler o mangá e achei muito bom! Uma light novel de 17 capítulos que te prende muito facilmente! espero que o filme seja tão empolgante quanto o mangá foi!

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