Crítica | Godzilla (2014)

Mesmo com excelente produção, trama e elenco decepcionam


Título Original: Godzilla
Lançamento: 15 de maio de 2014
Gênero: Ação, Aventura, Ficção Científica.
Elenco original: Aaron Taylor-Johnson, Bryan Cranston, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen, Sally Hawkins, Juliette Binoche.
Direção: Gareth Edwards.
NOTA:

Recontando a história de um dos maiores ícones do cinema, Hollywood mais uma vez pega um clássico e o transforma em uma super-produção mundialmente esperada pelos fãs. Mas será que vai agradar?

Logo de início, somos apresentados a uma introdução satisfatória das origens do Godzilla durante a Era Atômica. Temos aí uma pequena crítica ao militarismo da época - muito presente nos filme soriginais produzidos pela Toho. E então, conhecemos Joe Brody (Cranston), que criou o filho sozinho após a morte da esposa (Juliette Binoche) em um acidente na usina nuclear em que ambos trabalhavam, no Japão. Ele nunca aceitou a catástrofe e quinze anos depois continua remoendo o acontecido, tentando encontrar alguma explicação. Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), agora adulto, é soldado do exército americano e precisa lutar desesperadamente para salvar a população mundial - e em especial sua família - de monstros que ameaçam o seu país.

Os primeiro e segundo atos do filme foca nos pequenos detalhes do Godzilla, mostrando apenas partes de suas escamas, placas dorsais e barulho... Muito barulho. Tudo isso exibido de uma forma peculiar. Gareth Edwards optou por dar um olhar mais humano e, na maioria das vezes em que os monstros aparecem, vemos através de janelas, óculos e etc. Tudo isso envolto à muita fumaça, escuridão e destruição, é claro. Esse detalhe pode ter contribuído para que pequenas imperfeições no design dos monstros fossem imperceptíveis aos olhos do público, o que pode parecer inteligente por parte do diretor, mas também preguiçoso.

Contando com uma equipe de efeitos visuais competente, desta vez vemos monstros mais realistas e proporcionalmente maiores do que tudo que já vimos nos cinemas. Focando inicialmente nos espécimes M.U.T.O., podemos conhecer os prováveis vilões do longa, que aterrorizam a população com asas gigantes, pernas colossais e pulsos eletromagnéticos - responsáveis por desligar o sistema elétrico de grande parte de uma cidade. Tudo isso causa destruição em uma enorme escala - e com esses pulsos, o exército se abala com a falta de armamento. Com um enorme orçamento, foi possível criar tsunamis, edifícios sendo demolidos, cenários incríveis e cenas em planos bem abertos. Nas batalhas entre os monstros, foi possível explorar muito disso, mas houve um exagero por parte de Edwards. O público quer mesmo ver destruição, mas incomoda o fato de que, toda vez que um monstro apenas encosta em alguma construção, ela desaba totalmente. O Godzilla é enorme, de fato, e destruiria um enorme arranha-céu só de tocá-lo, mas isso não acontece com muita frequência e limita-se apenas a pousos destruidores do M.U.T.O. no topo dos prédios e o grandalhão se levantando debaixo debaixo de uma ponte (em uma cena muito bem executada, por sinal).

Infelizmente, humanizaram muito os monstros e, com isso, seus instintos primitivos - que deveriam prevalecer acima de tudo - foram deixados um pouco de lado. A maneira como se movimentam, lutam e abocanham, por exemplo, acabam ficando bem artificiais e eles também parecem ser capazes de pensar, arquitetar algo com uma inteligência muito estranha. É claro que os produtores quiseram prestar uma bela homenagem aos clássicos, em que atores usavam a tradicional técnica suitmation, em que bonecos de látex eram movimentados por alguém, com o auxílio de fios de náilon e motores à bateria, mas deveriam ter mantido mais os detalhes selvagens dos monstros e causado muito mais destruição em terra.

O enredo é um caso à parte. Com um roteiro raso, a trama não envolve quanto deveria e acaba se tornando extremamente clichê ao decorrer de suas cenas. Explorando mais o lado humano da questão, o militarismo americano novamente é colocado como o herói da situação, adicionando uma família em perigo como alívio dramático. O elenco, liderado pelo mediano Aaron Taylor-Johnson, não tem carisma e acaba comprometendo a dramaticidade do filme. Enquanto que Bryan Cranston, mesmo em pouco tempo de cena, mostra toda a sua competência como o grande ator que é (como também a caristmática Juliette Binoche), o casal protagonista de Johnson e Elizabeth Olsen não tem química e mais parece um romance entre adolescentes. O protagonista não tem a capacidade de nos fazer torcer por ele e, inúmeras vezes, é fácil se pegar ansioso para ver uma batalha entre os monstros para que ele saia de cena e deixe o verdadeiro protagonista entre em cena. O mesmo vale para a tentativa de adicionar personagem infantis para que o público torça por alguém. Foi desnecessário e a péssima escolha do elenco-mirim é desconcertante.

E é isso que temos em grande parte do filme: somente a ansiedade para ver o Godzilla em ação. A criatura aparece aos poucos e, nisso, o diretor acertou em cheio. Novas expectativas vão surgindo à cada cena, o que nos prende do início ao fim. O que decepciona, mesmo, é a economia das cenas de ação, com uma batalha final extremamente curta e pouco empolgante. Com isso, o Godzilla aparece para salvar o planeta e acaba como um grande herói da nação. Cadê aquele monstro vilão e heróico ao mesmo tempo? Cadê aquela criatura que devasta todo um país? Pois é, não o vemos neste novo remake. Pior ainda, é ver como, em meio à tanta fumaça, destruição e multidões, os monstros conseguem enxergar diretamente o personagem de Aaaron, que sai milagrosamente intacto no meio de tanta demolição e um certo desejo de vingança dos gigantes.

A trilha sonora, pelo menos, é de uma qualidade excepcional. Sendo impactante e muito bem composta, ela consegue deixar as cenas ainda mais tensas, profundas e ainda presta uma homenagem aos filmes mais clássicos. A mixagem de som também é perfeita e choca pela qualidade sonora. Os gritos dos monstros são ensurdecedores e muito realistas, a destruição tem sons bem familiares e tudo isso proporciona uma imersão ainda maior ao filme, fazendo desta uma das melhores montagens de som dos últimos anos. A movimentação da câmera também é uma beleza à parte e sempre que o Godzilla ruge, por exemplo, ela estremece - proporcionando uma sensação inédita à quem assiste. Infelizmente, o longa sofreu um péssimo trabalho na conversão do 3D, resultando em cenas sem nenhuma profundidade. O que vale, mesmo, é a qualidade visual do filme em si e, se assistida em uma sala IMAX, a imersão é impressionante e de tirar o fôlego.

Mesmo com um elenco fraco e roteiro raso, o novo Godzilla traz uma nova roupagem ao clássico e consegue, de maneira brilhante, reviver um dos maiores monstros do cinema, com uma qualidade técnica impressionante. Pode decepcionar alguns fãs mais exigentes, mas agrada o público justamente pelo que ele prometia: uma produção digna da grandiosidade do Godzilla. Uma pena que ele tenha aparecido muito pouco...

Agora é torcer para que os rumores se concretizem e que sequências sejam lançadas, mostrando novos monstros e muito mais do rei das criaturas.

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1 comentários:

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000
admin
24 de maio de 2014 17:57 ×

Crítica magnífica. Gostei muito dos efeitos e monstros, mas realmente roteiro simples e as criaturas foram humanizadas demais.

Congrats bro 000 you got PERTAMAX...! hehehehe...
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