Crítica 2D | Divergente

Elenco e ritmo frenético da superprodução surpreendem


Título Original: Divergent
Lançamento: 17 de abril de 2014
Gênero: Ficção-Científica, Aventura.
Elenco original: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Ansel Elgort, Ashley Judd.
Direção: Neil Burguer.
NOTA:

Em uma Chicago futurista, sem conexão alguma com o mundo exterior, a população é dividida em cinco facções: Audácia (os corajosos - aqueles que treinam para serem soldados, policiais), a Erudição (os inteligentes - aqueles que cuidam da parte médica e tecnológica), a Amizade (os pacíficos, responsáveis pela produção de produtos alimentícios), a Franqueza (os , que buscam a justiça através da verdade) e a Abnegação (os altruístas - por não serem vaidosos e egoístas, são os líderes do governo). Trabalhando juntas, estes diferentes grupos trabalham juntos para manter a cidade em paz e todo ano adolescentes que estão passando para a fase adulta devem fazer um teste e escolher que facção viverá pelo resto da vida - seja a sua de origem ou não. O sistema é quase perfeito, até que pessoas diferentes começam à surgir: os Divergentes. Eles não se encaixam em apenas um dos grupos e, por isso, não podem ser controlado por nenhum tipo de governo. Isso assusta a líder da Erudição, Jeanine (Kate Winslet), que defende o projeto até o fim. Tris, nascida na Abnegação, descobre ser Divergente e decidi escolher a Audácia para chamar de lar. Lá ela sabe que isto pode custar a sua vida e de muitas outras pessoas. Lá, ela escolhe lutar.

Assim como no livro, não há respostas sobre o que fez Chicago ser destruída e, tudo o que sabe-se, é que houve uma guerra e, depois dela, o sistema de facções foi criado para que os habitantes pudessem sobreviver em paz e harmonia.

Com esse enredo, é difícil enxergar algo parecido, mas no seu estilo é inevitável a comparação com outros filmes para jovens. Mesmo assim, este se difere dos demais em muitos detalhes. A distopia deste, por exemplo, é menos ousada que a de Jogos Vorazes, contendo-se em mostrar um lado mais científico - bem como uma só cidade futurística semi-destruída e não um estado com cidades divididas. O romance é muito mais conservado e sem exageros - diferenciando-o de Crepúsculo -, dando mais destaque à ação e aventura. Sua trama tem uma certa profundidade, mesmo que conheçamos apenas aquilo que a protagonista sabe, mas é complexa e seu ritmo muito rápido acabam estragando o suspense e toda a tensão do filme - que nos primeiros minutos é incrível. Mesmo assim, consegue - de alguma maneira - encaixar uma grande quantidade de história em pouco mais de duas horas de projeção, resultando em um filme nada monótono. Mas é o carisma dos protagonistas que segura as pontas.

Shailene Woodley consegue dar vida à sua personagem de maneira impecável. Com seus grandes olhos chorosos, ela transmite toda a emoção necessária e traz o telespectador ao seu mundo. Nas cenas de ação e quando precisa usar sua força, ela também não desaponta, tornando-se uma das protagonistas mais fortes de atualidade (bem como uma das atrizes de maior ascensão). Seu companheiro de cena, Theo James, interpreta todas as camadas do seu personagem e, assim como Woodley, tem uma carga emocional bem satisfatória - além de mostrar uma incrível habilidade de luta. Kate Winslet, a quase vilã do trama, infelizmente não foi tão aproveitada e sua superficialidade é um pouco incômoda. Mas continua uma ótima atriz e as motivações de sua personagem - que a tornaram uma tirana - foram bem explicadas e formam uma vilã que chegamos a entender. O visual destes personagens também equivalem à suas atuações.

O orçamento elevado permitiu que grandes cenários e efeitos visuais fossem construídos e esse é um dos pontos mais positivos do longa. É possível diferenciar cada facção pelos figurinos, muito bem trabalhados - da simplicidade da Abnegação e Amizade até as vestimentas azuladas e bem conservadas da Erudição. Os locais que abrigam cada facção também tem suas diferenças e, já que passamos a maior parte do tempo na facção dos corajosos - a Audácia -, podemos conhecer um pouco mais sobre o grandioso complexo rochoso. Mesmo assim, parece ter sido um exagero adicionar elementos gráficos tão elaborados em um filme que serviria melhor com algo mais simples, com certa crueza.

A trilha sonora, assinada pelo DJ Junkie XL e produzida por Hans Zimmer, trazem emoções à parte. Com batidas fortes, vocais robóticos e vários elementos musicais diferenciados, o resultado impressiona e impõe um tom ainda mais épico ao filme, embalando de maneira correta as cenas mais ágeis e até as românticas.

Divergente pode não ser um filme excelente, mas em uma indústria atualmente saturada com filmes adolescentes - dos quais poucos se salvam -, mostra-se um dos mais ousados ao oferecer uma experiência épica, com um ritmo bem mais frenético que os demais. Talvez a falta de expectativas em torno do lançamento traga surpresas à quem der uma chance ao longa. Os fãs certamente vão gostar e até mesmo os exigentes deveriam deixar a desconfiança de lado e se aventurar em uma das mais famosas sagas literárias do momento. O filme diverte, tem um elenco consistente, traz cenas de ação muito bem coreografadas e cumpre o que promete.
Agora, é esperar para ver o rumo que esta história vai tomar, desejando que tudo seja explicado nos próximos três filmes.
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