Crítica | Um Time Show de Bola

Animação empolga com sua qualidade visual, mas se perde no roteiro

Título Original: Metegol
Lançamento: 29 de novembro de 2013
Gênero: Animação.
Elenco: Patrick Wilson, Rose Byrne, Ty Simpkins, Lin Shaye, Barbara Hershey, Steve Coulter e Leigh Whannell..
Direção: Juan José Campanella.
Nota:

Nos dias atuais, é comum ver os principais estúdios de Hollywood apostando em longa-metragens animados, na esperança de arrecadarem vários milhões com suas produções. Mas o que mais se sente falta, é de uma boa trama, realizada com um bom roteiro... Dirigido pelo ótimo cineasta argentino Juan José Campanella, era de se esperar que Um Time Show de Bola fosse diferente e inovador, mas não é.

Escrito por Campanella, junto a dupla Gastón Gorali e Eduardo Sacheri, o longa acompanha Amadeo, um garoto tímido e solitário que encontra companhia na mesa de pebolim do bar onde trabalha. Certo dia, ele é desafiado para uma partida pelo mimado Grosso, mas quando Amadeo vence o jogo, Grosso se sente humilhado e sai da cidadezinha onde vivem. Anos mais tarde ele volta - agora um famoso jogador de futebol - e deseja se vingar da cidade responsável pela única derrota da sua carreira. Quando destrói o bar onde Amadeu trabalha, os bonecos do pebolim ganham vida para auxiliar o jovem a salvar sua cidade.

O longa inicia-se com uma cômica referência a 2001: Uma Odisseia no Espaço, o que parece ter sido o momento mais divertido durante toda a projeção, mas também um grande erro por parte do cineasta. Campanella parece se preocupar muito mais com os detalhes técnicos, que esquece de nos trazer uma trama memorável. Inspirado em vários outros lançamentos do gênero, seus personagens têm características muito bem conhecidas pelo público e não trazem novidades. 

Mesmo com um roteiro cheio de erros e falta de coerência - como quando os bonecos inexplicavelmente ganham vida -, o diretor acerta em cheio nos detalhes visuais e apresenta uma produção impecável. Ele parece mesmo ter gostado da liberdade que a computação gráfica proporciona e usa deste artifício para movimentar as câmeras de maneira incrível (a partida no pebolim, por exemplo, traz uma bela sequência). Cada objeto e cada cenário são meticulosamente detalhados e adicionam algo de muito bom na projeção. Os bonecos carregam marcas de suas jornadas - como rachaduras, riscos e tintas descascadas -, fazendo-os parecerem reais. Os efeitos tridimensionais impressionam e adicionam uma profundidade agradável, bem como projetam objetos à frente da tela sem muitos exageros.

A dúvida que fica é: Qual foi o real motivo pelo qual esses bonecos ganharam vida?
Eles parecem não representar muita coisa e, se não estivessem em cena, não fariam falta na trama, mesmo que incrementem o humor presente no filme e façam parte de uma surpresa agradável ao final da projeção.

Mesmo bebendo de várias fontes já conhecidas e com um interessante visual, Um Time Show de Bola se perde no roteiro e deixa furos visíveis em sua trama. Diverte e empolga, mas poderia ter sido muito maior, mais completo e memorável.
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